Conheça mais sobre São José do Belmonte

Conhecido como ?A Terra da Pedra do Reino?, o município de São José do Belmonte fica localizado no Sertão Central pernambucano. Seu apelido remete a uma história ocorrida séculos atrás, que inspirou um dos romances mais importantes de Ariano Suassuna. A obra ?O Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta? (1971), do célebre escritor paraibano e defensor da cultura nordestina, foi ambientada em São José do Belmonte.

Localizada a 473 quilômetros do Recife, a cidade faz fronteira com os municípios pernambucanos de Mirandiba, Serra Talhada e Verdejante, além de, ao norte, com os estados do Ceará e da Paraíba. Sua formação administrativa conta com os distritos Sede, Bom Nome e Carmo e os povoados Jatobá e Serrote.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população estimada para 2021 em São José do Belmonte foi de 34.082 pessoas e seu território possui uma área total de 1.479,964 km². O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), calculado pela última vez em 2010, atingiu 0,61 pontos, nível considerado médio.

Ainda conforme o IBGE, o Produto Interno Bruto do município, em 2018, foi de R$ 271.435.680,00, ficando em 75º lugar entre os municípios do Estado e em 2131º no ranking brasileiro. Já o PIB per capita do mesmo ano foi de R$ 8.008,13, 131º em Pernambuco e 4879º no Brasil.

Com o clima semiárido, a maior parte do território de São José do Belmonte fica inserida na unidade geoambiental da depressão sertaneja, no entanto, uma parte ao norte está na unidade das bacias sedimentares. A vegetação nativa é característica do bioma da caatinga e o município fica nos domínios da bacia hidrográfica do Rio Pajeú.

Educação

Segundo o site oficial da Prefeitura, a Secretaria de Educação e Cultura do município é responsável ?pela elaboração da Política Municipal de Educação? e sua competência abrange várias funções. Entre elas, estão o planejamento e a execução das atividades pedagógicas de ensino regular; a assistência relacionada a merenda escolar, assistência médica, odontológica e social; a articulação com a Secretaria de Saúde para o atendimento das necessidades dos alunos da rede municipal e o aperfeiçoamento dos professores. 

O endereço eletrônico lista como função do órgão, ainda, o controle da documentação escolar; a pesquisa didático-pedagógica para o desenvolvimento do ensino municipal; a gestão do plano de carreira da Educação; a promoção de festividades cívicas, culturais e artísticas; a administração de museus, bibliotecas, teatros e outros e a defesa e a preservação do patrimônio municipal de valor artístico, cultural e histórico.

O IBGE indica que a taxa de escolarização de alunos de 6 a 14 anos de idade, medida em 2010, é de 96,2%. Em 2020, foram registradas 24 escolas de ensino fundamental e quatro estabelecimentos voltados para o ensino médio.

Já em um levantamento de 2019, o IBGE calculou que o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do município na rede pública é de 5,3 para os Anos Iniciais do Ensino Fundamental e 5,0 para os Anos Finais do Ensino Fundamental. Esses indicadores colocam São José do Belmonte em 61º lugar em Pernambuco e 3529º no Brasil. Utilizado para medir a qualidade do aprendizado e estabelecer metas para ensino, o Ideb avalia indicadores como fluxo escolar e médias de desempenho.

Saúde

O site oficial da Prefeitura de São José do Belmonte resume a responsabilidade da Secretaria de Saúde em ?praticar atos pertinentes à saúde que lhe forem outorgadas ou delegadas?. Sua competência é descrita pelas seguintes atividades: assistência médica e odontológica; levantamento de problemas de saúde da população para identificar as causas e combater as doenças com eficiência; e relação com órgãos e entidades federais e estaduais visando ao atendimento dos serviços de assistência médico-hospitalar e de defesa sanitária do município.

Também estão presentes, no rol de funções, a vacinação; a fiscalização de aplicação de recursos provenientes de convênios; a administração das unidades sanitárias; o atendimento de pessoas doentes e que necessitarem de socorro imediato; o encaminhamento a centros de saúde mais avançados quando necessário; e as campanhas preventivas de doenças.

Estudos do IBGE de 2019 registram que a taxa de mortalidade infantil média no município é de 25,34 para mil nascidos vivos. Em 2016, as internações devido a diarreias foram de 2,1 para mil. Num comparativo entre os 185 municípios do Estado, São José do Belmonte fica nas posições 14 e 21, respectivamente. Quando comparado a cidades do Brasil, as posições são de 686 e 1485 de 5570, respectivamente.

Turismo e Cultura

São José do Belmonte conta com um episódio bastante peculiar na sua história. O município ficou ?conhecido por protagonizar o desfecho do reino encantado de 1838?, como conta uma matéria do Diario de Pernambuco, fazendo alusão ao movimento sebastianista que ocorreu no local. Nesse tempo, parte da população belmontense acreditava que o rei português Sebastião, morto numa batalha em 1578, ressuscitaria na Serra do Catolé, localizada na área rural do município.

O Sebastianismo surgiu em Portugal, no século 16, porém, a crença profética acabou se tornando secular e se estendeu até o Nordeste brasileiro. No século 19, a população belmontense, por exemplo, acreditava que o ?bom rei? se escondia na Serra do Catolé, onde há dois rochedos de mais de 30 metros. ?Para que ele desencantasse, as pedras teriam de ser banhadas com sangue de sacrifício humano. Só então o rei ressuscitaria e, como um Deus, operaria milagres na terra e nas vidas secas do Sertão?, explica uma matéria da BBC.

Os rochedos eram conhecidos, à época, como ?Pedra Bonita?. Hoje, fazem parte do espaço Ilumiara Pedra do Reino, idealizado pelo escritor Ariano Suassuna nos anos 1990, época em que assumiu o cargo de secretário de Cultura de Pernambuco. O objetivo de Ariano foi homenagear as vítimas do movimento e fazer lembrar a história do local, que inspirou o romance de sua autoria publicado em 1971. 

Hoje, o Ilumiara Pedra do Reino conta com totens em torno das duas pedras gigantes. São 16 esculturas de santos, figuras da região e personagens do romance de Ariano. Lá, acontecem festividades e eventos anualmente, como uma cavalgada e um espetáculo com trilha épica e disparos de bacamarte. Existe, ainda, a ?cavalhada?, uma festa com encenações de batalhas entre cristão e mouros e representações de torneios medievais. 

Por fim, em homenagem a Ariano Suassuna, foi construído um castelo, no centro do município, com a arquitetura inspirada na cultura sertaneja, no Movimento Armorial e nos romances do dramaturgo. Conhecida como Castelo Armorial de São José do Belmonte, a edificação de mais de 15 metros de altura foi erguida entre 2007 e 2017 pelo empresário Clécio Novaes e funciona como uma espécie de museu da cidade.

História

De acordo com o IBGE, o território onde hoje se situa São José do Belmonte era a fazenda de criação Manissobal, nome dado devido à Maniçoba, espécie de árvore abundante na região. Em 1857, o proprietário da fazenda, José Pires Ribeiro, ergueu uma capela em homenagem a São José como pagamento de uma promessa. Na ocasião, o Frei Casimiro Mitello, em missão local, mudou a denominação de Manissobal para Belmonte, fazendo alusão à topografia elevada do povoado.

Foi criado, em seguida, a partir da Lei Provincial nº 1085, de 1873, o distrito de Belmonte, subordinado ao município de Vila Bela. Em 1890, o distrito foi elevado à categoria de vila, pelo Decreto Estadual nº 20.

Ainda sob a denominação de Belmonte, o local ganhou a condição de cidade e sede do município em 1909, pela Lei Estadual nº 991. Em 1943, o município de Belmonte passou a ser chamado de Manissobal, passando a ganhar seu nome atual apenas em 1953. 

Fontes: IBGE, Prefeitura de São José do Belmonte e Wikipédia.